A medalha de ouro na patinação artística dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro pode sair do único salto quádruplo do mundo na modalidade. Isso é o que nos conta Marcel Stürmer, o jovem patinador gaúcho, de Lajeado, Rio Grande do Sul, que pela segunda vez consecutiva representará o Brasil em Jogos Pan-Americanos.
Na primeira oportunidade, em Santo Domingo 2003, com apenas 18 anos de idade, Marcel surpreendeu e mostrou o talento que descobriu quando tinha ainda seis anos, ao subir no lugar mais alto do pódio com a bandeira brasileira.
Hoje, com 15 anos de carreira, ele destaca esse título como o mais importante pelo fato de, na época, não ter sido apontado como um possível campeão em competições internacionais.
A descoberta para o esporte aconteceu na primeira vez em que assistiu a um espetáculo com os pais que, apesar do incentivo, achavam que aquilo seria uma vontade temporária.
As primeiras aulas de patinação, com patins emprestados, foram com Jaqueline Nonnenmacher, a técnica que acompanha o atleta até hoje.
- A Jaque foi quem calçou e amarrou meus patins no primeiro dia, pois eu não sabia como fazer – lembra Marcel que aos nove anos conquistou o primeiro título brasileiro.
Aos 16 anos, durante uma competição, o patinador recebeu um convite de uma técnica norte-americana para treinar nos Estados Unidos com a promessa de se tornar campeão Pan-Americano. A promessa foi cumprida após 2 anos de treinamentos duros na cidade de San Antonio. Seis meses mais tarde, apesar de ter toda estrutura para treinar e estudar, a falta de patrocínio e a saudade da família fizeram com que o atleta voltasse para o Brasil.
Atualmente Marcel está em Santos, litoral paulista, para uma fase de treinamentos intensivos até o início do Pan. São necessárias sete horas de treinamentos diários, de segunda a sábado, para conseguir executar com perfeição a coreografia de Max Coelho dos Santos ao som de bossa-nova e samba.
É uma coreografia bastante difícil, mas estou confiante que vou realizar uma boa apresentação. Devo fazer uns oito saltos triplos. Vou arriscar tudo, vou com todas as armas para o Pan – avisa.
A complexidade da coreografia de Max reserva uma surpresa para os espectadores: um salto quádruplo que Stürmer acredita ser o diferencial no caso de uma prova sem erros.
- Acredito que este movimento irá impressionar os juízes. É um salto dificílimo e sou o único patinador do mundo na atualidade que faz esse salto – revela.
Porém, o atleta enfatiza que a arma mais poderosa é o conjunto e não um movimento isolado.
- Só o quádruplo sem todos os outros triplos não adiantaria, assim como todos os triplos sem uma boa coreografia também não – explica o atleta que admite já ter caído bastante nos treinos por causa do salto quádruplo.
Vivendo o melhor momento da carreira, Marcel espera mostrar toda dedicação que teve nos últimos quatro anos, na apresentação que fará no Rio.
- É um momento muito feliz, esperei quatro anos por isso. Sempre quando bate uma ansiedade ou medo, tento lembrar o quanto esperei e treinei, e de tudo que abri mão para estar no Pan – diz o patinador que adora chocolate, uma das coisas que teve que abrir mão.
– Tudo é difícil de abrir mão, mas nada é tão difícil que não compensa. Eu gosto tanto do que faço, quero tanto estar no lá (no Pan), que fiz com prazer – afirma.
A venda de ingressos para assistir à Patinação Artística no Pan varia de R$ 10 a 20. A partir do dia 1º de julho, as entradas podem ser adquiridas nas bilheterias dos ginásios e estádios.O local das provas será no Complexo Esportivo Miécimo da Silva, em Campo Grande, com capacidade para 5 mil pessoas, entre os dias 21 e 22 de julho. O complexo fica a 45 minutos da Vila Pan-Americana.
A modalidade da patinação artística disputada nos Jogos Pan-Americanos é a livre. Nela, cada atleta faz duas apresentações, uma de dois minutos e 15 segundos e outra de quatro minutos. A pontuação final será definida pela somatória das notas destas duas provas.
Os movimentos básicos do programa individual consistem em saltos, giros e trabalho de pés, que devem ser realizados de acordo com a música. Na apresentação mais curta, o patinador é obrigado a executar certos elementos pré-determinados.